quarta-feira, 15 de agosto de 2012

CAMINHONEIROS AUTÔNOMOS SOFREM PARA ENCONTRAR SEGURO

Falta de produtos específicos e preços são alguns dos problemas.

Para a maioria dos transportadores autônomos, o caminhão é mais do que apenas o instrumento de trabalho, é o investimento de uma vida toda. Por isso, preocupar-se com o seguro do veículo e da própria vida é fundamental ao enfrentar as arriscadas estradas do Brasil.

Os caminhoneiros são os profissionais que mais morrem em serviço no País. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, o setor de transporte rodoviário de cargas ocupa o primeiro lugar em número de acidentes fatais. Das 2.712 mortes ocorridas em 2010, 260 foram da categoria e entre os 14.097 acidentes com invalidez permanente, 412 são de transportadores.

Esses dados refletem o tamanho do perigo enfrentado pela classe e a importância de prevenir-se sempre. O risco não fica apenas na periculosidade das estradas, há ainda a chance de sofrer roubos e furtos. Mesmo com essas demandas, poucas seguradoras conseguem oferecer produtos específicos para esse público.

Segundo Jabis Alexandre, diretor de Automóveis do Grupo BB e Mapfre, das mais de 100 seguradoras brasileiras, menos de 10% oferecem seguro para caminhões. “As seguradoras têm o desejo de ofertar um produto acessível e com maior gama possível de cobertura, mas também nos deparamos com os custos elevados. Tem que ter uma grande capacidade financeira e estrutura para conseguir competir no mercado”, afirma.

Antes de mais nada, o motorista deve procurar uma seguradora registrada na Superintendência de Seguros Privados (Susep), para não se arriscar. A entidade disponibiliza dentro do site www.susep.gov.br um espaço para consulta do nome da sociedade seguradora, onde é possível confirmar se ela está atuando de forma legal. As associações ou cooperativas não autorizadas não têm nenhum tipo de acompanhamento técnico das suas operações. Como normalmente os acidentes com esse tipo de veículo causam grandes danos, não ter seguro ou correr o risco de assumir os prejuízos não é recomendável.

Proteger também a vida

Apesar de ser mais comum entre caminhoneiros autônomos apenas a realização de seguro do veículo, algumas seguradoras oferecem opções adicionais, que cobrem acidentes pessoais, como morte e invalidez. De acordo com Alexandre, é bem menor a parcela que procura esse tipo de serviço. No caso do Grupo BB e Mapfre, aproximadamente 10% dos clientes optam por essa cobertura, embora ela represente um aumento de cerca de 1% no valor.

Outra opção do autônomo seria realizar um seguro de vida comum, de pessoa física, independente do veículo. “O que existe hoje é um cenário muito ruim para o caminhoneiro pessoa física, pois ninguém fez um projeto sério de produto para proteger a vida do caminhoneiro”, diz Enio Rosa de Oliveira, corretor associado à Câmara dos Corretores de Seguros do Rio Grande do Sul. No caso do seguro do veículo, ele conta que “é uma categoria com grande número de pessoas, mas que não tem muitas condições de negociação em comparação com um frotista, que negocia diversos veículos”.

Oliveira ressalta as dificuldades dos autônomos em conseguir preços razoáveis, em comparação com grandes transportadoras. “Como não têm nenhum tipo de incentivo do governo, como é o caso dos taxistas, só para citar um exemplo, os caminhoneiros ficam à mercê dos preços aplicados no mercado”, conta. Alexandre, porém, não considera essa diferença tão relevante. Segundo ele, os fatores mais determinantes para os custos são as características do veículo, como capacidade, ano, modelo e região onde irá circular.

Fonte: Cartola/Terra