sábado, 12 de maio de 2012

IMPLEMENTOS: ANFIR PREVÊ SALTO NAS VENDAS

Alcides Braga assumiu há duas semanas a presidência da Anfir, a associação dos fabricantes de implementos rodoviários, em meio a um cenário de queda generalizada de vendas que acompanha a retração do mercado de caminhões desde o início deste ano – causada pela nova legislação de emissões (Proconve P7) que deixou os veículos equipados com motorização Euro 5 de 8% a 15% mais caros. Mas Braga estima que o período de baixa nos negócios vai durar pouco: “Ninguém duvida que vamos ter sete meses muito bons pela frente, só não sabemos se serão suficientes para salvar o ano inteiro”, avaliou, em entrevista exclusiva a Automotive Business.

Para Braga, as novas condições de crédito do BNDES/Finame devem aquecer as vendas à medida que o banco comece a aprovar os novos financiamentos – desde abril com taxas de 7,7% ao ano (ou 5,5% no caso de autônomos e pequenas e médias empresas) e até 120 meses para pagar. Como 90% a 95% das vendas de implementos são financiadas pela linha do BNDES, o novo presidente da Anfir prevê um salto nas vendas até junho próximo. “A implantação do Euro 5 criou muitas incertezas e os clientes se retraíram, à espera de condições melhores, quie só começam a aparecer agora”, diz, lamentando que o governo não tenha lançado antes as medidas de incentivo às compras de veículos comerciais. “O governo fez o certo, mas um pouco tarde.”

A Anfir estima que atualmente estão nos pátios dos maiores fabricantes cerca de 3 mil carretas. Como são produtos feitos sob encomenda, que seguem características específicas pedidas por cada cliente, Braga diz que a maioria desses produtos em estoque já tem dono, que estaria esperando o momento mais conveniente para fazer o faturamento. Por isso ele prevê por um pulo expressivo nos emplacamentos de implementos nos próximos meses.

Apesar do resultado esperado para este ser menor que o de 2011, quando houve recorde histórico de vendas, Braga projeta alguns anos pela frente de prosperidade para o setor, que deverá pegar carona no crescimento econômico e nas obras de infraestrutura que estão em curso no País.

Resultado do Quadrimestre

Os emplacamentos do primeiro quadrimestre do ano mostram que os implementos caíram no mesmo buraco de vendas deixado aberto pela introdução do Proconve P7. O desempenho geral, com a comercialização de 55.633 carretas e carrocerias sobre chassis, foi 3,7% mais baixo do que o registrado no mesmo período de 2011.

A maior queda foi registrada pelo segmento de maior valor agregado: as vendas de reboques e semirreboques no primeiro quadrimestre do ano recuaram 10,7%, para 16.570 unidades. O desempenho foi bastante desuniforme, mas a maioria das categorias de carretas anotou resultado negativo (o pior foi o tanque de alumínio, com retração de 60%). Destacaram-se os implementos carrega-tudo, de uso genérico, com alta de quase 30% nos emplacamentos. Além deste, só outros dois tipos tiveram performance positiva: baú lonado (crescimento de 14,5%) e graneleiro/carga seca (1,5%).

No segmento de carrocerias sobre chassis o desempenho compensou as vendas em baixa de carretas, com resultado praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. Os emplacamentos de janeiro a abril chegaram a 39.063, em leve recuo de 0,4%. A principal alta foi de caminhões-tanque, com avanço de 14,8%, seguida pelos baús de alumínio/frigorífico, com 7%.

Fonte: Automotive Business