Futura fabricante de caminhões pretende abrir 50 lojas até
julho de 2015.
Quatro meses depois de apresentar o terreno de Guaíba (RS)
que abrigará sua futura fábrica no Brasil, prevista para entrar em operação no
primeiro semestre de 2016, a Foton Aumark abriu
as portas de sua primeira concessionária modelo na quinta-feira, 28.
Localizada em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, a revenda pertence
ao grupo empresarial LCM (Luiz Carlos Mendonça), sociedade entre o presidente
da Foton Aumark, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e do diretor comercial e de
desenvolvimento de rede, Ricardo Mendonça de Barros. Segundo o diretor, o grupo
foi criado com o objetivo de formar forte rede de representação da marca na
região, importante para o segmento de caminhões leves e semileves no qual a
empresa atuará a princípio.
“A LCM é uma empresa com estrutura e gestão independente da Foton, focada nas
operações comerciais. É uma prova de que apostamos nas vendas da marca no
Brasil. Duas novas concessionárias padrões LCM devem ser inauguradas nos
próximos meses, uma em Várzea Paulista e a outra no Ceasa, pontos de acesso de
caminhoneiros”, comenta o diretor.
Durante apresentação do terreno da fábrica, o presidente já havia anunciado
que, mesmo diante de sucesso futuro da marca, poderia vender a planta
brasileira pronta para os chineses do Grupo Beiqi Foton Motors. “Nós temos dois
contratos com a Foton, um para a fabricação de veículos e outro para revendê-los
no Brasil. Nada nos impede de apenas representar as vendas da marca no futuro”,
apontou Mendonção, como é conhecido.
A nova unidade de Guarulhos, no bairro de Cumbica, substitui outra
concessionária do grupo que ficava na mesma cidade. A casa foi realocada para
uma região com maior fluxo de caminhões e fácil acesso aos clientes e é a
primeira construída dentro dos padrões visuais, de qualidade e de conforto
estipulados pelos executivos da empresa.
COMPETITIVIDADE
Bernardo Hamacek, CEO da Foton Aumark, explica que a ideia é ter lojas tanto da
LCM quanto de outros grupos espalhados pelo País, com operação enxuta. “Não
queremos ter concessionárias muito grandes, que tenham custo muito alto.
Pretendemos reduzir o máximo possível o tempo de espera do motorista, fazendo
com que seu caminhão seja consertado no mesmo dia. Não temos espaço para deixar
veículos parados. Será uma rede eficiente, mas sem a necessidade de luxos. O
cliente comprou um caminhão com custo competitivo e também não quer pagar caro
para mantê-lo.”
Maurim Silva Junior, gerente geral da LCM Caminhões, conta que a operação é
enxuta, mas preza pelo bom atendimento. A concessionária de Guarulhos, em seus
800 metros quadrados de área construída, conta com um espaço para o descanso e
lazer com uma estrutura com banheiros, café, água, internet wi-fi, TV por
assinatura e jogos interativos. Tem oito boxes para prestar serviços de
mecânica, elétrica, revisões de troca de óleo, área de financiamentos e seguros
e vendas.
Para abrir uma concessionária de “padrão intermediário”, com um a dois boxes de
atendimento, Hamacek diz que é necessário investimento de cerca R$ 1,2 milhão.
O executivo calcula que uma unidade do tipo tenha de vender 10 caminhões por
mês ou 120 por ano para ser lucrativa. “Em dois anos, o executivo recupera o
investimento inicial”, aponta.
Durante a última ExpoFenabrave, no início do mês, segundo Ricardo Mendonça de
Barros, 25 grupos de distribuidores de outras marcas de caminhões entraram em contato
com a Foton para abrir loja no Brasil. “Desses, 20 já assinaram a carta de
intenção”, aponta o diretor. Atualmente, a Foton tem 26 concessionárias
espalhadas pelo País. O número deve aumentar para 30 ainda este ano e para 50
até o meio do ano que vem.
“Nós temos conseguido atrair distribuidores por causa de um ‘business plan’
estruturado para garantir boa margem de lucratividade. A maioria das
concessionárias nasce com planos para 10, 20 anos. Nós, não. Estamos focados em
pensar nos próximos dois anos em ter resultados já a curto prazo. O nosso grupo
tem experiência suficiente para apontar o que não pode ser feito”, explica
Antonio Daldati, conselheiro da presidência e das operações comerciais, que
teve longa passagem pela Volkswagen e Iveco.
Uma das apostas para a alta competitividade das lojas, segundo Dadalti, será
trazer peças importadas da China para suprir o pós-vendas. “Os nossos caminhões
já nascem com 70% de peças nacionais para ter acesso à linha de financiamento
Finame, do BNDES. Mas isso não significa que suas peças de reposição precisam
ser nacionais. Hoje é muito mais barato importar altos volumes da China, mesmo
pagando impostos, do que comprar dos mesmos fornecedores nacionais. O
consumidor que pagou por um caminhão mais barato não vai querer desembolsar
alto valor para troca de uma peça.”
A Foton já conta com centro de distribuição, em Várzea Paulista (SP), para
armazenagem de peças. “Temos estoque de quase R$ 5 milhões em autopeças e temos
expectativas de expansão”, conta Hamacek, que acrescenta: “Se fornecedores
nacionais quiseram atender o nosso mercado de reposição no futuro, deverão ser
mais competitivos e apresentar preços mais baixos.”
A Foton já vende produtos com preços competitivos e com bom nível de
acabamento. O caminhão de 3,5 toneladas custa a partir de R$ 81.900. O de 6,5
toneladas tem preço sugerido de R$ 97.350. O de 8 toneladas sai por R$ 107.200.
E o de 10 toneladas, por R$ 119.800.
Enquanto a fábrica não fica pronta, a empresa, habilitada como investidora pelo
Inovar-Auto, pode importar da China até 8,5 mil caminhões, de 3,5 até 10
toneladas, dos mesmos modelos que serão feitos aqui, volume que considera mais
do que suficiente para cobrir as necessidades do mercado até 2016. Este ano a
empresa pretende fechar com 700 unidades vendidas.
Fonte: Automotive Business